Avós contam as emoções de ler para seus netos

“Ser avó é pai com açúcar”, diziam os mais velhos. Seja uma avó ou um avô que trabalha, seja aquele que vive com a família, seja o que mora longe, ou o que está bem pertinho, a verdade é que essa figura é muito marcante no desenvolvimento das crianças. Cheio de afeto, ensina hábitos culturais, transmite histórias e sensibiliza para a importância de se respeitar aqueles que vieram antes de nós.

No dia 26 de julho se celebra o Dia dos Avós, e para marcar a data, conversamos com algumas avós de assinantes do Clube Quindim sobre essa vivência e sua relação com a leitura:

“A minha vivência como avó é das coisas mais prazerosas que eu pude viver na minha vida. Fui mãe muito jovem, e quando a gente é muito jovem a gente tem muitas urgências, muitas demandas, então as crianças foram crescendo e foram sendo criadas da melhor maneira que a gente podia, mas o prazer veio com a maturidade. Comecei a ter mais prazer no convívio com as crianças a partir do momento que fui amadurecendo. Isso chegou ao auge agora, com os netos. Os netos são 100% prazer para mim.

A leitura foi um processo natural quando as crianças começaram a ficar maiorzinhas, esse processo de ler junto, de contar histórias. Ela sempre esteve presente na minha casa. O que eu percebo é que as histórias clássicas, que a gente aprendeu quando era criança e reproduziu para os filhos, continuam a fazer sucesso para os netos. São clássicos mesmo, boas histórias que permanecem ao longo do tempo. E a gente sempre se permite conhecer histórias novas, livros novos, e aprender com os netos, com o que trazem da escola. Então essa vivência é sempre muito rica.”

Maria Antonia Alvarez Perez, avó de Gabriel, de 8 anos, e de Felipe, de 2. 

“Ser avó é muito melhor que ser pai e mãe, porque avó pode se dar o direito de não dar bronca, nem corrigir nada, é só prazer, estar junto, dar uma volta no quarteirão, dar um pedaço de pão que pai e mãe não querem, e dar muita risada, curtir o banho, a troca de roupa, tudo sem compromisso…

Ler pra eles é especial, os olhinhos se acendem, a emoção brota, e no caso da netinha Clarice, ela com um ano e meio já pega o livro e pede pra você ler com ela… e imita o dinossauro, o jacaré… Não sei se ela vai se lembrar no futuro, mas eu sim, com certeza!”

Mirna Gabriel Nakano, avó de Clarice, de um ano e meio.

“O Vitinho chegou ao Brasil com 6 meses. Em uma visita, cerca de dois meses depois, minha nora comentou que já estava comprando livros para ler pra ele mais tarde. Ficou admirada com meu discurso pró-leitura, mesmo para bebês, e tirou os livros do armário. 
Meses depois, sentado no chão, ele arrumava com cuidado seus bichinhos de pelúcia, carrinhos e dinossauros, e contava pra eles, com toda ênfase, as histórias que ouvia… Também criava outras, baseado naquelas, encenando com seus brinquedos…


Quando Ana Victória nasceu, a contação começou ainda mais cedo. Tenho um vídeo lindo em que Vitinho está de bruços, curtindo sozinho um livro, enquanto a mamãe se ocupa da pequena, com apenas 2 meses. E a cada virada de página ela dá um gritinho de alegria, mexe perninhas e braços num contentamento emocionante.


Não sei quando começou em casa a hora da leitura. Mas ainda tem esse hábito, e meu filho gosta de ler para as crianças – que agora são três, tem também a Ana Beatriz – , variando a voz dos personagens, criando algum suspense, fazendo-os interagir com a história… Mas o Vitinho, já com 9 anos, muitas vezes prefere adiantar sua leitura particular.
Eles voltaram para o Equador há 5 anos. Foram alfabetizados em espanhol. Ana Victória gostava então de ler pra mim, nas nossas longas conversas via Whatsapp. Mostrava a ilustração, lia, voltava-se para a câmera e traduzia para o português o que acabara de ler, toda orgulhosa. Fazia isso com tanto carinho que não tive coragem de dizer que não precisava.


Quando vêm ao Brasil nas férias escolares costumamos ler os livros que guardei de quando meus filhos eram pequenos. Eles acham interessante, e querem saber do papai se gostava mais deste ou daquele, se a vovó não brigava por terem escrito nos livros.
No ano passado minha nora me pediu livros em português. Por isso fizemos a assinatura do Clube Quindim. Mas este ano só virão para o Natal. Os livros estão aqui esperando por eles…”


Ana Maria Rios Maciel, avó de Victor, de 9 anos, de Ana Victória, de 7, e de Ana Beatriz, de 5.

“Quando meu primeiro neto nasceu, ele estava na Espanha, em Granada, e eu em Saquarema, no Brasil. Cheguei em Granada sem saber o que me esperava. Coloquei meu neto no colo, senti seu cheiro e calor e fui engolfada por um tsunami de amor que só os avós conhecem. Hoje ele tem 9 anos, mora em Resende e nos vemos pouco, mas cada encontro é mágico.

Quando minha neta Gabi nasceu fui correndo para Resende, para a maternidade, meu coração parecia explodir num canto de sereia. Ela tem 5 anos, mora em Visconde de Mauá e também nos vemos pouco, mas cada encontro é melhor que o outro.

Quando estamos os três juntos é tempo de maluquices. Eles sabem que comigo podem entrar num mundo sem pé nem cabeça, que a vovó adora.

Viro criança com meus netos, só não dou cambalhota porque a coluna não deixa. Mas exercemos o direito ao non sense, o direito ao ato sagrado de brincar.

Netos reinventam a vida e escrevi meu livro ‘Colo de Avó’ para fazer essa celebração. “

Roseana Murray, avó de um menino de 9 anos e de uma menina de 5.


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