9 livros infantis para falar sobre morte, separação e outros temas difíceis

Os pequenos crescem, deixam de ser bebês e, quando menos esperamos, nos surpreendem com perguntas difíceis, que não sabemos como responder. Bebês e crianças pequenas exploram o mundo como cientistas, interessados em entender o funcionamento por trás das coisas ou dos acontecimentos. Não demora muito para que se detenham sobre temas difíceis, como morte, violência e separação. Por isso, a equipe do Clube Quindim separou algumas dicas e indicações de livros. Confira:

Responda o que foi perguntado

Muitas vezes, diante de um questionamento simples da criança, os pais já se adiantam a dar explicações muito complexas. Uma forma fácil de encarar a situação é responder justamente o que o pequeno indagou. Por exemplo, se uma criança pequena quer saber como os bebês são feitos, os pais podem explicar apenas que eles surgem de sementinhas do corpo do papai e da mamãe, sem precisar entrar no tema do sexo. Caso a criança queira saber exatamente como essas sementes se encontram, é possível ir desmembrando o assunto.

Respeite a idade da criança

Crianças de faixas etárias diferentes têm níveis de compreensão diferentes. Mais ou menos depois dos cinco anos, os pais podem detalhar mais os assuntos e entrar em elaborações mais complexas. Antes disso, é bom ser sucinto e direto na resposta.

Seja verdadeiro

Mentir para a criança pode atrapalhar o vínculo e a criação da confiança entre vocês. Afinal, como estimulá-la a falar a verdade para você se você mesmo mentiu para ela? Ela pode se decepcionar se, em uma primeira conversa, você disser que é a cegonha que traz os bebês ou se falar que a vovó que morreu foi viajar. É possível ser sincero sem impressionar o pequeno, conversando com delicadeza e afeto.

Busque auxílio na literatura

A literatura infantil de qualidade, para além de todas as qualidades que já exploramos por aqui, é uma excelente ferramenta para abordar temas difíceis. Veja abaixo alguns títulos enviados pelo Clube Quindim que podem ajudar a abordar temas variados:

1. Diversidade: Elmer, o elefante xadrez

elmer o elefante xadrez david mckee wmf
Autor: David McKee
Editora: WMF Martins Fontes

Esta obra fala sobre a sensação de ser diferente e a busca por pertencimento. E o modo como aborda esse tema permite diferentes leituras sobre o que é ser diferente, podendo falar tanto sobre uma diferença clara, como uma deficiência, quanto sobre a diferença como uma percepção de si mesmo na busca pelo pertencimento. Uma busca que pode nos levar por diferentes caminhos, da imitação ao outro para se sentir parte daquele grupo à simples (e difícil) compreensão e estima de si, com as características e potencialidades que o fazem único.

2. Medo da morte de alguém: Um fio de esperança

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Autora: Marjolijn Hof
Editora: WMF Martins Fontes

Este livro fala sobre um tema bastante sensível: a iminência da morte de alguém que amamos. Abordar temas densos na literatura infantil causa em alguns adultos um pouco de medo, de receio em expor a criança a alguma dor. Sabemos, porém, se acessarmos as nossas memórias da infância, que ela não está tão protegida assim, e que vivenciamos desde os primeiros anos sentimentos dolorosos como o medo e a angústia. A literatura permite vivenciar esses sentimentos por meio das histórias, oferecendo ferramentas para que possamos elaborar como lidar melhor com esses sentimentos em nosso cotidiano.

3. Perda de um dos pai: Menina amarrotada

Menina Amarrotada aline abreu
Autora: Aline Abreu
Editora: Jujuba

Este livro fala sobre um tema difícil: a perda de um ente querido. Seja ela por morte, por separação dos pais em que um deles deixa de estar presente. Fala também sobre mudança externa e interna, sobre tristeza, saudade, raiva. Sobre dias cinzas. Fingir que esses sentimentos não existem não faz com que eles de fato deixem de existir. A literatura é um modo de mergulhar nessas questões sem necessariamente apontar o dedo para elas. E ajudar o leitor a identificar e lidar com os amarrotados da vida.

4. Relações desiguais de poder entre homem e mulher: Barbazul

Barbazul
Autora: Anabella López
Editora: Aletria

São muitas as referências desta história aos contos de fadas: paixão, mistério, castelo, o bem contra o mal. Mas a principal é o elemento mágico. O elemento revelador. No Barbazul, a chave é esse elemento. Abre portas e revela o outro lado do que está escondido. Uma chave que não se cala e conta tudo. Apesar de essa história ter sido publicada pela primeira vez em 1697, no livro Histórias da Mamãe Ganso, a temática sobre o machismo, sobre o poder e o domínio que o homem exerce sobre a mulher, como se esta fosse sua posse, continua sendo muito atual. De fato, o Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos: ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações, segundo OMS/ONU Mulheres/SPM, 2015.

5. Desigualdade social e crianças que vivem nas ruas: Cena de Rua

cena de rua
Autora: Angela-Lago
Editora: RHJ

Este livro rompe com uma visão de mundo única. A situação apresentada na narrativa nos faz repensar os limites entre o certo e o errado, sobre justo e injusto. E não é assim a vida? O tal “homem de bem” existe de fato? Na obra, uma criança de rua tenta vender itens em um semáforo. É ignorada e sofre a violência comum dessa situação. Ao fim da história, a criança acaba por roubar uma família, e ao abrir o embrulho descobre que roubara de uma família que havia comprado o que ela vendera. Dessa situação cíclica, a autora desperta questionamentos sobre o cotidiano e violência urbana, além de dilemas éticos: você acredita que esta criança é má? A literatura é assim: questiona nossas verdades, nos faz pensar e amplia nosso universo.

6. Diversidade nas composições familiares: Drufs

drufs eva furnari
Autora: Eva Furnari
Editora: Moderna

Neste livro, as crianças conhecerão o que os alunos da professora Rubi escreveram sobre a própria família. Esses diferentes relatos instigam a reflexão do leitor sobre sua própria família, as diferenças, a tolerância e o respeito.

7. Relacionamento abusivo: A moça tecelã

a moça tecelã marina colasanti demóstenes vargas
Escritora: Marina Colasanti
Ilustrações: Demóstenes Vargas
Editora: Global

A moça tecelã é uma das mais importantes obras da literatura infantojuvenil brasileira. Apresenta uma mulher que torna real tudo o que tece: o amanhecer, as cores da natureza, um lar. Um dia, sente-se só e tece um homem com chapéu emplumado. Ele lhe pede para tecer uma casa, depois um palácio, colocando o tear mágico aos seus caprichos. Por fim, a moça se vê presa naquela situação. Mas a personagem pode tecer e destecer o seu destino. Um lindo livro que as irmãs Dumont majestosamente bordaram com os belos desenhos de Demóstenes Vargas.

8. Depressão: Um passarinho me contou

um passarinho me contou jorge miguel marinho
Escritor: Jorge Miguel Marinho
Ilustrações: Flávio Passos
Editora: Edições de Janeiro

O livro conta a conversa de duas senhoras que já estão desistindo da vida e se preparando para encontrar com a “morte”. Pode parecer, em primeiro momento, uma história triste. Mas a cada virada de página uma nova surpresa vai acontecendo. A vida vai exigindo uma nova tarefa, vai comemorando aniversários, vai batendo asas na janela, vai cantando e as senhoras vão entendendo que suas existências têm propósito, têm sentido e estão ligadas a tantas pessoas, a tantos acontecimentos que não têm mais tempo para visitar a morte.

9. Racismo: Quando me descobri negra

quando me descobri negra bianca santana
Escritora: Bianca Santana
Ilustrações: Mateus Velasco
Editora: SESI-SP

“Tenho 30 anos, mas sou negra há 10. Antes, era morena.” É com essa afirmação que Bianca Santana inicia uma série de relatos sobre experiências pessoais, inventadas ou ouvidas no círculo de mulheres negras que organizou. Com uma escrita ágil e visceral, denuncia com lucidez – e sem as armadilhas do discurso do ódio – nosso racismo velado de cada dia, bem brasileiro, de alisamentos dolorosos no cabelo, opressão policial e profissões subjugadas.


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