Pais contam como a leitura estreitou laços e criou uma nova dinâmica com seus filhos

No próximo domingo, é dia de celebrar essa figura que compartilha cuidados, enche a família de amor e define exemplos que serão seguidos por toda a vida: o pai. Assim como as mães, eles têm um papel fundamental no desenvolvimento das crianças e na formação dos pequenos como leitores. Afinal, a relação com a leitura se estabelece na infância por meio de uma ponte afetuosa, e pode ajudar a formar filhos mais críticos, criativos e autônomos. E, para homenagear a paternidade ativa de pais que se dedicam e se fazem presentes na criação de seus filhos, o Clube Quindim conversou com cinco deles sobre o momento de leitura em família.

Dá uma olhada:

 

Ader Gotardo, pai da Maria Luiza, 9, e do Jorge, 4

“Eu iniciei contando histórias inventadas, curtas e que tinham uma duração de acordo com a rapidez com que eu gostaria que meus filhos dormissem. Geralmente eu dividia essas histórias em capítulos. Logo depois, quando a Malu, mais velha, já sabia ler, comecei a ler contos curtos também, para estimular sua leitura. O meu mais jovem, de 4 anos, passou a acompanhar as leituras e se interessou mais por elas. Então, o momento de leitura passou de um momento pré-sono para integrar parte das atividades diurnas.

Percebo que a leitura altera muito o vocabulário. A expressão é muito ampliada e a curiosidade por palavras novas cresce. O Jorge repete expressões que ainda não compreende totalmente, mas que tem analogia com situações que ele vivenciou por meio da leitura. Assim como ele e a Malu compreendem discursos nos outros meios de entretenimento. Para a Malu, é importante para se expressar e articular seu pensamento. A leitura também agregou na nossa comunicação. As ideias são mais claras. Acho que a interação ficou mais estreita.”

 

Adriano de Luca, pai do João, 6, e da Dora, 1

“O momento da leitura é especial, reservado, importante. Existe uma real interação, eu me divirto também com a leitura e aprendo junto. É uma chance de rever nossos rótulos, nossos preconceitos de adulto, e tentar treinar um olhar mais ingênuo, mais puro, e aproveitar a chance para reaprender algumas coisas. Não apenas do ponto de vista de preconceitos, mas uma visão mais romântica, mais bonita, mais esperançosa mesmo com relação à existência humana.

Acho que a leitura desenvolve a criatividade, uma forma única de enxergar o mundo, empatia, amor. É uma possibilidade de reinterpretar tudo aquilo que a sociedade já nos entrega codificado, fechado num rótulo. Possibilidade de construir com mais autonomia sua própria visão de mundo.

A leitura agregou muito à nossa relação, porque meu pai sempre me incentivou muito a ler, até num nível um pouco, digamos, exagerado. Mas ele tinha razão. E como o perdi muito cedo, o mundo dos livros me reconecta ao meu pai, e também ao meu filho, fazendo uma espécie de ponte magica entre vô e neto, sendo que eu sou o instrumento para atravessar a ponte de um lado a outro.”

 

Daniel Sclearuc, pai da Clarice, de 8 meses

Confesso que inicialmente utilizava a leitura como um artifício para acalmar a criança antes de dormir. A leitura de livros interessantes e a brincadeira com as palavras e ilustrações estreitou o laço com a minha filha bebê. Eu sinto que ela percebe este afeto e retribui interagindo com a leitura e se conecta comigo, além de ficar maravilhada com os desenhos a cada virar de página. Incrível como as diferentes cores e formas, junto com a narrativa, geram expressões diversas na pequenina! Como consequência, tornou-se realmente um momento de troca entre pai e filha, trocamos muito afeto e eu ainda sinto que estou ajudando no seu desenvolvimento.

Acho que nesse mundo moderno de muita interatividade, dispositivos e todos querendo roubar um pouco de seu tempo o momento de leitura é uma pausa muito importante, que nesta idade penso desenvolver a atenção e foco da criança desde muito cedo. Também para um bebê, que sabemos que é uma maquininha de aprendizagem, o estímulo visual e sonoro de minha leitura, e a relação entre ambos, ajuda muito a comunicação, criatividade e curiosidade.

Ao longo do tempo lendo para minha filha bebê percebi como ela interage com as figuras e minha entonação de voz, o que se tornou um momento de conexão entre nós. Aprendi a brincar com a leitura, me atrevendo a alterar alguns trechos para adaptar ao momento, além de enfatizar figuras com a história contada. Certamente a leitura aumentou o meu laço com ela, que sendo bebê ainda fica muito conectada com a mãe. Foi através da leitura e dos cuidados dedicados a ela que senti esta troca de afeto. Hoje leio sempre que posso para ela, e curto junto os excelentes livros recebidos pelo Clube Quindim, que estimulam a dinâmica.”

 

Daniel Arruda Pinto, pai do Otto, de 8 meses

“Penso que a leitura é um momento muito divertido para ambos. Sempre que paro para ler com/para ele, existe um engajamento para extrapolar os limites da leitura pura e simples. Faço gestos, crio novas situações, comento as histórias, de maneira que ele perceba que não é apenas um livro, mas um mundo que ele pode explorar de diversas maneiras.

Acredito que o processo de leitura contribua para o estreitamento dos laços emocionais entre pai e filho, e sobretudo no desenvolvimento emocional e intelectual do meu filho. É desde cedo que ele saberá a importância da leitura e do saber como ferramentas de transformação e edificação, e que esse hábito o acompanhará durante toda a sua vida.

Cada livro e cada momento de leitura são únicos e agregam um pouquinho no relacionamento. Se ele está inquieto, eu aprendo a respeitar seu tempo e limites. Se está se divertindo, também me divirto e geramos empatia e confiança um pelo outro. Por fim, é um processo mútuo e constante de conhecimento e aprendizado que eu espero perdurar.”

 

Fernando Makita, pai do Gabriel, 8, e do Felipe, 2

“O momento de leitura com os meus filhos é antes de dormir. Lemos algumas páginas de alguma história. Gosto de interromper, explicar algo, como uma palavra que meu filho não conhece ou algum trecho mais complexo, que ele não parece entender no contexto. Se a história permite, tento fazer um paralelo com algo que ele está vivendo para conversar sobre certas atitudes.

Agora, estou lendo alguns quadrinhos com o Gabriel, que ele conhece e gosta de desenhos animados, mas com histórias que eu lia quando era criança também. Então dá para fazer um paralelo bem legal”.

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