Os perigos do uso de tablets, celulares e telas por crianças

Novos estudos confirmam que uso excessivo de telas atrapalha o desenvolvimento neurológico, comportamental e cognitivo de crianças.

 

A restrição do uso de tablets, televisão, computadores e celulares por crianças tem estado cada vez mais em pauta entre pediatras e pais. E a cada novo estudo demonstra-se um novo motivo para tal preocupação.

Um recente artigo publicado no periódico britânico Archives of Disease in Childhood, pelo pesquisador Aric Sigman, alerta que o maior tempo de exposição a telas tem sido associado ao risco aumentado de problemas neurológicos, como o déficit de atenção entre as crianças. Em outro estudo, o mesmo pesquisador confirma que para cada hora diária assistindo televisão, houve um aumento de 9% nos diagnósticos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Demonstrando a mesma preocupação, a Universidade de Toronto, no Canadá, avaliou mil crianças, com idade entre seis meses e dois anos, e encontrou relação entre o tempo de uso de aparelhos portáteis ao atraso de linguagem: o uso de pelo menos trinta minutos diários aumentou o risco de atraso da fala em 49%.

Somados a esses distúrbios, vale ressaltar a diminuição no convívio social, depressão, ansiedade, baixa autoestima, prejuízo na visão e a piora na qualidade do sono associadas a rotina do uso prolongado de telas.

Não existe um consenso sobre uma idade específica para liberar o uso. É preciso porém considerar que o imaginário precisa ser estimulado, e incentivar desde muito cedo o convívio habitual com livros em vez de telas é uma das formas de desenvolver o potencial dos pequenos. Assim, quanto mais expusermos as crianças às realidades virtuais, em que não tenham espaço para interagir, imaginar ou criar, menos contribuímos para seu desenvolvimento saudável.

Sem privá-los desse contato – afinal, essa é a realidade atual –, é preciso se colocar limites e regras, e a melhor maneira é oferecendo alternativas que despertem o interesse da criança. A leitura é mais uma vez opção. E para estimular o bom hábito da leitura, a Sociedade Brasileira de Pediatra lançou a campanha “Receite um Livro”, com o objetivo de mobilizar os médicos pediatras a estimularem seus pais a lerem para as crianças, a fim de promover o desenvolvimento infantil integral. Dessa forma, a criatividade, imaginação, vínculo afetivo familiar e linguagem são aprimorados, além da memória e da capacidade intelectual da criança.

Ouvir histórias faz com que as crianças se tornem mais reflexivas sobre qualquer situação. Quando lemos para elas, criamos uma base para o desenvolvimento intelectual dos pequenos, que em geral não sabem ler. Aprendendo a ouvir melhoram sua capacidade de expressão e compreensão, além de adquirirem maior vocabulário que lhes permitirão expressarem melhor suas ideias e seus sentimentos, habilidades fundamentais ao logo da vida.

 


Camila Miele
é pediatra formada pela Universidade de Santo Amaro, com residência médica em Pediatria, Alergia e Imunologia pela Unifesp. Atende em consultório particular e, assim como a Sociedade Brasileira de Pediatria, recomenda leitura a seus pacientes desde o nascimento.

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