Música na infância: benefícios e dicas para estimular a criança

Basta ouvir uma canção no carro ou na televisão que o seu pequeno ensaia uns passinhos ou umas sacudidas de cabeça? A sensibilidade das crianças para a música parece natural, mas não é só isso: introduzir a música na infância favorece uma série de habilidades essenciais na vida dos seus filhos e contribuem no desenvolvimento deles. Beto Schkolnick, educador musical das escolas Jacarandá, Miguilim e Alefperetz, além de coordenador da área de música do Colégio Magno, conta que a musicalização desenvolve as noções de ritmo, experimentação, reconhecimento de escuta e o desenvolvimento do senso estético.

Isso porque, de acordo com Beto, “a linguagem musical é muito completa, expressiva e acaba trabalhando a sensibilidade, a expressão da criança e ainda tem uma parte de organização e lógica”. Além disso, trata-se de uma linguagem muito acessível, uma vez que, antes mesmo de falar, o pequeno balbucia, e mesmo na barriga da mãe, o bebê responde aos sons que escuta e pode se acalmar ao ouvir a mãe cantar. Mas quais são os benefícios de uma aula de música na infância e como incentivar esse contato em casa? Veja as dicas do especialista a seguir.

 

Benefícios de uma aula de música na infância

1. Ampliar o repertório cultural: “Em tempos de festa junina, por exemplo, podemos trabalhar instrumentos característicos como sanfona e triângulo, e mostrar como funcionam”, diz Beto. Esse tipo de atividade também é capaz de ampliar a ideia que a criança tem da cultura popular e contribuir para um fortalecimento da identidade.

2. Organizar escuta: a educação musical contribui, ainda, para que a criança consiga nomear gêneros musicais, bem como proporciona uma escuta diferenciada: “Conseguimos estimular a criança a fazer um filtro e criar um repertório que vá além daquilo que está na mídia”, explica.

3. Apresentar os instrumentos: as aulas estimulam e desenvolvem a escuta da criança também para que consiga ter uma percepção musical e diferencie os sons de instrumentos musicais variados.

4. Trabalhar o movimento: música também é movimento. Quando o professor apresenta, por exemplo, uma canção com várias velocidades também convida as crianças a mexerem o corpo seguindo o ritmo.

5. Para os mais velhos: à medida que ingressam no Ensino Fundamental, é possível trabalhar alguns eixos de aprendizado com as crianças. A técnica de instrumentos é um deles, em que se pode levar a uma reflexão sobre efeitos sonoros e mostrar como se toca uma flauta, um pandeiro ou um tambor. Outro eixo é o da escuta e identificação de obras, para que o aluno possa nomear o gênero musical do que ouve. Também é possível explorar as sonoridades de outros povos e a relação do som com a cultura. Beto ressalta, ainda, que esse conteúdo permite estimular habilidades de trabalho em grupo:

“No estudo da música há dois processos: uma atenção ao que você produz como indivíduo, e uma atenção ao fenômeno coletivo, do grupo. Tem um trabalho de escutar o outro e de estar no mesmo ritmo, no mesmo andamento, o que é muito rico.”

 

Dicas para incentivar a música em casa

Fora da sala de aula, os familiares que querem estimular a música na infância podem seguir estas dicas:

1. Apresente um repertório diversificado: aqui, vale ampliar o repertório do que está na mídia e mostrar outros gêneros musicais, e Beto lembra:

“Música para criança não é só aquela produzida por grupos infantis, tem muito da MPB, da música clássica e do jazz interessante para os pequenos. O que precisa ter é qualidade musical, e os pais podem pesquisar o que pode ser bacana, o que tem um lado caricato e estar abertos para a escuta”.

2. Cuidado com brinquedos musicais: há muitos instrumentos musicais de brinquedo para crianças, mas é interessante buscar nesses objetos algo próximo da realidade. Isso porque, muitas vezes, guitarras de brinquedo, por exemplo, são tocadas como teclados e não têm cordas. Isso pode confundir a criança depois, no aprendizado da técnica do instrumento. Apesar de esses itens terem grande apelo, com luzes e cores, o ideal é investir em uma experiência mais próxima da realidade.

3. Para os pequeninos, cante: cantar é um excelente estímulo à musicalidade das crianças, em especial das bem pequenas. Se você não gosta de cantar, uma saída é contar histórias trabalhando a entonação dos personagens, fazendo sons dos animais ou do ambiente. E para escolher essas obras, conte com o Clube de Leitura Quindim.

 


Beto Schkolnick é professor e assessor de música em diversas escolas da rede pública e privada de ensino, além de desenvolve trabalho de formação continuada.

Em 2010 e 2011 foi contemplado como finalista no Prêmio Arte na Escola e foi vencedor do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, promovido pela Revista Nova Escola, com o projeto “Songbook de Adoniran Barbosa – 100 anos” desenvolvido na Escola Jacarandá.

É também autor do material didático “Oficina de Música”, dirigido a professores do curso de pedagogia do sistema Singularidades Digital, em parceria com a Abril Educação, e colaborador do Instituto Cultural Itaú, além de integrante do Fórum Latino-americano de Educação Musical com oficinas e trabalhos apresentados na Argentina, Equador e Guatemala.

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