O livro-brinquedo ajuda seu filho a ser um leitor?

A cena é clássica. Você chega em uma livraria e diz ao seu filho: escolhe! À frente dele, centenas de livros-brinquedos, com seus sons, pop ups, texturas diferentes e muitas atrações. Ele, claro, não resiste, pega vários e pede: mãe, leva pra mim? E então você se pergunta: será que este livro-brinquedo vai ajuda meu filho a ser um leitor? Podemos dizer que não… e que sim! Vamos explicar:

 

  • Primeiro precisamos entender que todo livro é um brinquedo. Ao abrir um livro, o leitor é convidado para um jogo, para um desafio, para uma aventura. Perceber isso coloca o livro como um objeto que deve ser incluso na lista de presente de aniversário, natal e outras datas comemorativas.

 

  • Todo livro trabalha a coordenação motora da criança. Livros com várias abas para a criança puxar e descobrir o que está escondido, ou com furos para colocar o dedo e virar a página, são bem-vindos. Mas mesmo assim, se o livro não tiver
    essas abas ou furos, o fator de virar a página já é um movimento muito importante para esse jovem leitor.

 

  • O livro com imagens em 3D, que também chamamos de pop up, são interessantes pelo efeito surpresa. Mas precisamos lembrar que livros com pop up costumam ser entregues para as crianças pequenas que ainda estão testando a sua força. Geralmente o que acontece é que as crianças ficam tão maravilhadas com a imagem que salta do livro que amassam essas imagens estragando-as e causando frustração no adulto.

 

  • Essa preocupação em amassar as folhas do livro precisa ser levada em conta. Claro, que os livros cartonados são geralmente os escolhidos na hora de adquirir livros para os pequenos. Mas lembre-se: a criança só vai conseguir testar a intensidade de sua força se tiver tiver acesso a diferentes livros. Portanto, livros que não são cartonados precisam estar ao alcançe dos pequenos.

 

  • A diversidade e as possibilidades de experiências estéticas e sensoriais são fundamentais na formação de um leitor. Então, se a criança morder, babar, rasgar, riscar, pisar em cima, se enrolar no livro, não fique triste. Isso mostra que ele está tendo uma relação com o objeto e com as possibilidades que ele fornece.

 

  • Os livros sonoros, podem ser divertidos. Mas geralmente eles não ajudam muito porque o som de bichos ou omanotopeias (tique-taque, zum-zum, atchim, chuá-chuá) são aproximações do real. Então, nesse caso, o mais bacana é sempre brincar com o som que o adulto têm sobre esses animais.

 

  • Os livros com texturas são muito interessantes e estimulam o tato e a sensibilidade da criança. Mas vale lembrar que hoje em dia os artistas e as editoras estão apostando diferentes texturas em livros que também trazem texto literário. Então, o perfeito para o leitor seria ter essas duas experiências.

 

  • Não podemos descartar as tecnologias. O livro digital está recheado de jogos e possibilidades de interação. Mas a experiência nesta plataforma é bem diferente do livro impresso. O livro digital é bastante atrativo e serve sim para convidar a criança a se interessar pela leitura e pelos livros. Mas muitas vezes, na literatura infantil, traz elementos que se tornam ruídos na narrativa, em vez de contribuir para seus efeitos poéticos.

 

  • Mas se queremos que nosso filho se torne um leitor, temos de garantir a qualidade nessa experiência. Não são quaisquer livros que ajudam a criança a se tornar leitora. Ela precisa ter acesso a livros de qualidade. A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, entidade que promove a literatura de qualidade e que criou, em 1975, o Prêmio FNLIJ, o mais respeitado nessa área, incluiu em suas 18 categorias do prêmio a categoria o livro-brinquedo. Você pode conhecer mais sobre o prêmio acessando a página da FNLIJ.

Fique atenta(o):

  • Precisamos ter cuidado ao adquirir um livro-brinquedo. Existem muitos livros desse perfil que trazem ilustrações ruins, mal feitas, erros de português. Muitos livros que estão no mercado são licenciados (vêm de outros países) e não constam nem quem são os autores. Ou seja, procure ver se o livro traz o nome de quem criou. Se não tiver nome do autor, só nome de uma empresa, suspeite da qualidade da obra.
  • Livros-brinquedos focados somente nos jogos ou brincadeiras, parecendo mais uma espécie de passatempo motor do que um espaço para a exploração da leitura, pode cansar a criança rapidamente. Esses livros oferecem pouco estímulo para a criança criar vínculo com uma história. E são as histórias que desenvolvem afeto e empatia.

Mas voltando a nossa pergunta inicial:  O livro-brinquedo ajuda seu filho a se tornar leitor? A resposta é: ajuda sim! Mas como vimos acima, a diferença é que um livro que é só brinquedo, ou seja, que não tem literatura, apenas contribuir para estimular a criança para o jogo e para o ato de abrir o livro. Claro que isso não é pouco! Na verdade, isso é bastante importante nessa idade.

Mas o livro-brinquedo que traz literatura em sua narrativa visual e escrita é o livro que mais vai exercer o papel de estímulo ao jogo e à fruição literária. Vai trabalhar a criança com mais possibilidades e, por isso, vai constituir um repertório de palavras, imagens, estimular seus movimentos, seu imaginário.

Aqui no Clube de Leitura Quindim nos preocupamos em oferecer aos leitores essa experiência múltipla. Para nós, o jogo e a literatura, como fazemos questão de defender, é um direito da infância e uma ferramenta insubstituível. Oferecê-la aos nossos filhos é uma forma de transmitir conhecimento, experiências inesquecíveis e muito amor.

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