Alimentação infantil: 04 perguntas que você precisa fazer se seu filho não come verduras e legumes

Você sempre se esforça para proporcionar uma alimentação infantil nutritiva e variada para o seu filho, mas ele vive torcendo o nariz para os “verdinhos” do prato, ou seja, sempre se nega a consumir verduras e legumes? Quem é mãe e pai sabe como isso pode ser frustrante e preocupante: afinal, além de ser fundamental suprir o pequeno com nutrientes, os hábitos alimentares se formam já nos primeiros anos de vida, e devem ser compostos com muita saúde e variedade. Como lidar, então, com essa resistência das crianças? A nutricionista Roseli Ninomiya, especializada em alimentação infantil, aponta algumas questões que devem ser levantadas para quem quer resolver de vez essa questão.

 

Como foi a introdução alimentar?

Roseli esclarece que, apesar de acontecer bastante, não dá para dizer que é exatamente “normal” que o pequeno rejeite os vegetais. Para entender melhor como ele chegou até esse ponto, pode ajudar olhar para a introdução alimentar e se perguntar: nas primeiras papinhas comia de tudo e hoje é seletivo? Já era seletivo nas papinhas? Esse primeiro momento, de apresentação da criança aos alimentos, fará toda a diferença, de acordo com a especialista: “Quanto mais variadas as preparações com melhor será sua aceitação nos primeiros anos de vida, e isso se perpetuará pela vida inteira”.

Como são as refeições em família?

Comer em família é outro fator essencial para promover uma boa alimentação infantil. Pode ser o almoço, o jantar ou o café da manhã, se a rotina é corrida, mas proporcione essa experiência de estar juntos, de conversar tranquilamente e de dar o exemplo, fazendo escolhas saudáveis também. “Educar os filhos a comer verduras e legumes depende da paciência, perseverança e hábitos saudáveis da família. É importante manter o ambiente tranquilo, com harmonia e paz, sem televisão, tablets ou livros. Afinal, é o momento de se nutrir – muito se perde quando a criança está centrada em outra atividade e a comida só é levada à boca”, fala Roseli. Outra dica valiosa é seguir uma rotina, com horários certos para as refeições, limitando a oferta de alimentos que contém muito açúcar, gordura ou outros perigos para a alimentação dos pequenos.

Você varia o preparo dos alimentos?

Quem aguenta comer a mesma coisa todos os dias? Como os adultos, as crianças também se cansam de consumir os alimentos no mesmo formato com muita frequência. Assim, se ela não aceita um legume ou uma verdura, tente variar o preparo e o modo como serve a comida. “Não dá para se acomodar quando o assunto é a formação dos hábitos alimentares das crianças nos primeiros anos de vida. Não precisa ser um chefe de cozinha, mas não pode ter preguiça”, diz Roseli. Bons caminhos são estimular o visual e combinar cores, como no caso do arroz colorido com cenoura ralada e brócolis, filé de frango com tomate grelhado, carne cortada em tiras com ervilha, enfim, receitas simples, mas coloridas e apetitosas. Vale também levar o pequeno com você na hora de comprar os alimentos e no momento do preparo, o que estimula o desejo de experimentar novos sabores.

Algo mudou?

De acordo com a nutricionista, os pais contam que muitas crianças ficam mais seletivas após os 5 anos de idade. Muitas vezes, a rotina da escola interfere nessa relação, então vale investigar se algum fator mudou: um professor, a cozinheira ou merendeira, se há muitas atividades, se os amigos comem mal ou se o pequeno está vivendo um quadro de tristeza ou ansiedade – tudo isso pode interferir. “Quando a criança fica muito seletiva, é preciso intervir e educar, mas não chantagear, nem fazer ameaças”, explica Roseli. O melhor é se munir de amor e paciência e ajudar seu filho a descobrir o caminho prazeroso em direção a uma alimentação de qualidade.

 


Roseli Ninomiya é nutricionista formada pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialista em equipe multidisciplinar na Adolescência pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Conheça outras dicas dela aqui.

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